AUTISMO E NUTRIÇÃO FUNCIONAL

Postado por: Priscila Cardoso Meirelles em 15/04/2014 ás 16:50

O dia 02 de abril é o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Esta data foi criada pela Organização das Nações Unidades (ONU) em 2007 com o objetivo de chamar mais a atenção ao transtorno do espectro autista (nome oficial do autismo).
Em 1943 o autismo foi descrito pelo psiquiatra Leo Kanner como uma psicose infantil. Agora é definida como um distúrbio do desenvolvimento neurológico que implica um distúrbio grave em várias áreas, caracterizado por prejuízos na interação social, linguagem, comunicação, estereotipadas, comportamentos repetitivos que são frequentemente associados a distúrbios do sono e os padrões de comportamento.

Alguns estudos fazem uma conexão da inflamação crônica do trato gastrointestinal (do esôfago ao intestino) causada pela dieta e a severidade dos sintomas expressados no autismo. A inflamação da parede intestinal pode ser originada de diversas causas, como o uso de antibióticos, antiinflamatórios, pesticidas, glúten, caseína, aditivos químicos e má absorção de proteínas. A integridade da parede intestinal possui um papel importante na absorção adequada de nutrientes que bloqueiam as toxinas, bactérias, alérgenos e peptidios procedentes dos alimentos que podem ser danosos ao penetrar na circulação sistêmica produzindo anormalidades na conduta descrita no autismo.
Alguns desses peptídeos são derivados de alimentos que estão diariamente na maioria das mesas brasileiras: o glúten (proteína do trigo, centeio, cevada e malte) e a caseína (proteína do leite) que são proteínas que são parcialmente digeridas formando os peptídeos. Normalmente esses peptídeos também seriam digeridos até chegarem a aminoácidos, forma normal de serem absorvidos, mas com a parede intestinal inflamada (permeável) os peptídeos acabam sendo absorvidos, caindo na corrente sanguínea e sendo transportados ao sistema nervoso central ligando-se a receptores cerebrais podendo causar uma gama de sintomas encontrada no autismo.

Muitas crianças do espectro autista gostam bastante de alimentos a base de leite e glúten a ponto dos pais as considerarem viciadas nesses produtos. Este é o efeito dos peptídeos, que se assemelham as drogas opiáceas (substâncias que causam dependência ao organismo). Com o consumo excessivo dos alimentos ricos em glúten e caseína o desequilíbrio da flora intestinal fica cada vez maior e mais permeável. Com isso, outros sintomas acabam sendo conseqüentes, como os gastrointestinais (flatulência, refluxo, diarréia, azia), dores de cabeça, deficiências nutricionais e infecções virais e fúngicas crônicas. Além disso, com a “porta aberta” do intestino, alergias e intolerâncias alimentares secundárias acabam acontecendo, como no caso de alergias a corantes e conservantes.
Com isso, o tratamento começa pela mesa, substituindo os alimentos a base de trigo, leite e derivados por alimentos sem glúten, proteínas derivadas do leite e também da soja, que pode vir também a causar sintomas. Além disso, recuperar a flora intestinal com a ajuda de prebióticos e probióticos é fundamental. Há muitas opções hoje no mercado de alimentos que podem auxiliar nesse processo.
Muitas pesquisas acerca da alimentação relacionada com o autismo ainda estão sendo realizadas, mas o que já temos de estudos concluídos nos mostra a presença de comorbidades gastrointestinais e imunológicas em crianças com transtornos do espectro autista. Também, além dos estudos, a experiência de pessoas envolvidas mostra que a intervenção com dietas sem glúten e caseína ameniza os sintomas de comportamento e atitudes próprias no autista. Assim, o papel e a presença do profissional Nutricionista é fundamental na equipe multidisciplinar para tratamento do espectro autista.


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